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      No ano passado começamos a falar sobre as dificuldades do diagnóstico de TEA para a família (Clique aqui). Agora, vamos pensar em como isso acontece durante a adolescência?

      Passada a fase da infância e da convivência com o diagnóstico, é de se esperar que os familiares já estejam acostumados com as peculiaridades relacionadas ao transtorno. Porém, principalmente quando não foi realizada intervenção precoce na infância algumas questões como problemas de comportamento, comunicação, e relacionamento entre pais e filhos tendem a se apresentar na adolescência com uma nova roupagem.

      Nesta fase da vida, quando ocorrem, os problemas de comportamentos são muito mais gritantes e mais evidentes nos meios sociais em que o adolescente convive. Além disso, com o crescimento do corpo há o aumento da força física e os comportamentos agressivos (caso ocorram) ficam mais difíceis de ser manejados pelos pais. Há ainda mudanças hormonais que trazem consigo alterações de humor que repercutem no comportamento do adolescente.

      Outro ponto importante é a comunicação. Adolescentes utilizam muito mais formas de comunicação abstratas, tais como piadas e trocadilhos. Se o adolescente com autismo não estiver treinado para este tipo de comunicação, isto poderá prejudicá-lo nas suas relações com os colegas.

      Além disso, pessoas com TEA podem ter interesses restritos. Vejamos isto em um exemplo: Pedro tem muito interesse em carros. Por isto, ele passa horas na internet pesquisando sobre carros e sabe todos os detalhes relacionados ao assunto. Pedro poderia conversar sobre carros por horas! Mas os amigos de Pedro provavelmente vão querer conversar sobre outros assuntos, como música, filmes, etc. Assim, depois de algum tempo falando sobre carros, os amigos de Pedro ficarão entediados e vão achar que ele é um “chato”. Para que isto não aconteça, Pedro deve aprender a discriminar quando seus amigos não querem mais falar sobre carros e mudar de temática, conversando sobre os assuntos que são do interesse de seus amigos.

      Por fim, o relacionamento entre pais e filhos merece maior atenção na adolescência. Todos os pais têm dificuldades nessa fase da vida, já que seus filhos passam a apresentar comportamentos e interesses que divergem daqueles que aprenderam em casa. E diante disso a família fica cheia de dúvidas: “como agir em relação à masturbação de meu filho?”, “Devo educa-lo para não falar palavrão, apesar de que todos os colegas dele falam?”, “Devo impedir que ele vá a festas, uma vez que ele não sabe se proteger em relação a drogas, etc?”

      Diante disso, é necessário que os pais mantenham um diálogo aberto com seus filhos, principalmente sobre os assuntos considerados “tabus” pela sociedade. Temas como sexualidade, uso de drogas lícitas e ilícitas, morte, devem ser tratados no ambiente familiar de todos os adolescentes, especialmente dos que se enquadram no TEA. É importante lembrar que estes assuntos acabam surgindo em outros contextos e, se o adolescente não tiver uma base fornecida pelos pais, podem acabar cedendo a influências negativas e envolver-se em situações de risco.

      Todos os aspectos citados neste texto são possíveis de serem trabalhados na psicoterapia e no treinamento de pais. Seja através destes ou de outros meios, a família deve pensar nas possibilidades de intervenção com seus filhos adolescentes. Assim, pais e filhos poderão ter uma melhor convivência com o transtorno, com as mudanças oriundas dessa fase de adolescência e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida.

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