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Um dos métodos de ensino utilizados pela Análise do Comportamento para crianças com TEA é o Ensino por Tentativas Discretas (DTT, em inglês). Muitas vezes, a abordagem ABA é criticada pelo fato de as pessoas acreditarem que o ensino de habilidades ocorre somente na mesa e com uma recompensa comestível, ou que as crianças serão “robotizadas” por precisarem sempre de uma recompensa pelo seu comportamento adequado. Desse modo, é nosso papel mostrar que esta é uma visão incompatível com a Análise do Comportamento e explicar como é o procedimento utilizado com a criança. O DTT é um método de ensino, assim como o treino de respostas pivotais, o ensino incidental e em ambiente natural. Ele é importante para o desenvolvimento de habilidades primárias que não têm muitas oportunidades de serem trabalhadas no ambiente natural da criança.

Explicado isso, vamos discutir sobre o que é o DTT. A essência do DTT é que o terapeuta organiza uma situação de ensino controlada, criando um ambiente favorável à aprendizagem. Isto significa que damos oportunidades limitadas para a criança responder, e que essas oportunidades são organizadas inteiramente pelo terapeuta em termos do que acontece antes e após a criança responder a tarefa de aprendizagem. Ou seja, o terapeuta define qual será o antecedente e a consequência e dá ajuda caso a resposta não aconteça espontaneamente.

Para realizar o DTT, o terapeuta deve ter clareza de qual habilidade deve ser ensinada, bem como do que é reforçador para aquela criança específica, de modo a aumentar a probabilidade de que a criança tenha respostas corretas. Abaixo segue uma tabela traduzida do artigo referência que serve de guia para que o procedimento seja bem-sucedido:

Etapa

Guia

Antecedente 1. Posição do corpo e orientação da cabeça e dos olhos
2. Ter certeza de que a criança está prestando atenção na instrução
3. Dar uma instrução compreensível, clara e objetiva
4. Dar sempre a mesma instrução e, depois que a criança começar a aprender, variar a instrução.
5. Dar ajuda, sempre que necessário
6. Esvanecer a ajuda de acordo com a evolução da criança
Resposta 1. Selecionar uma resposta-alvo
2. Definir a resposta-alvo em termos observáveis
3. Definir como a resposta-alvo será mensurada
4. Manter registros objetivos e contínuos da resposta-alvo
Consequência 1. Avaliar os reforçadores frequentemente
2. Evitar que uma resposta incorreta seja reforçada
3. Reforçar a resposta-alvo imediatamente
4. Dar reforço de forma contínua e, depois de forma intermitente (reforçar somente algumas respostas e não todas)
5. Utilizar reforçadores naturais

        Sabendo disso, a família deve acompanhar as intervenções de sua criança com TEA, garantindo que os métodos de ensino sejam bem elaborados de forma a otimizar a estimulação e o desenvolvimento de sua criança. Além disso, também é importante atentar-se para que sejam utilizados vários métodos de ensino de modo a garantir a aquisição e, posteriormente, a generalização das habilidades ensinadas, ou seja, que a criança possa utilizar a habilidade aprendida em vários contextos.

Referência:

Ghezzi, P. M. (2007). Discrete trials teaching. Psychology in the Schools, 44(7), 667-679.

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