Viviane Janoni

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Cuidar e educar crianças não é uma tarefa fácil, não é mesmo? Os pequenos não vêm com manual de instrução, e muitas vezes os pais só “aprendem” a ser cuidadores quando o bebê já está ali, nascido e prontinho (ou não) para explorar o mundo.

Inúmeras são as qualidades que caracterizam a maioria dos pais, e mais ainda os pais de crianças com autismo. Dedicação e perseverança são indispensáveis ao longo de todo o tratamento. No entanto, também é bem comum que haja uma sobrecarga decorrente dos cuidados especiais exigidos pela criança, e as conseqüências acabam por alterar todo o funcionamento familiar.

Sem dúvida, as famílias que se encontram em circunstâncias especiais, que promovem mudanças nas atividades de vida diária e no funcionamento psíquico de seus membros, enfrentam um excesso de tarefas e exigências específicas que podem gerar situações estressantes e de tensão emocional, como ansiedade, angústia, alterações de sono, dificuldades interpessoais, preocupação excessiva, dificuldades de concentração, depressão e hipersensibilidade emotiva, somente para listar alguns efeitos potenciais. Eles apresentam um nível geral alto de preocupação quanto ao bem-estar de suas crianças depois que não puderem providenciar mais cuidados para elas, e também em relação aos atrasos na linguagem e na cognição das crianças. É comum também as mães terem que abandonar suas carreiras, devido ao tempo excessivo de demanda de cuidados que a criança necessita e a falta de outros cuidadores, considerando que, muitas vezes, o pai se mantém como o provedor da família.

A partir daí, explica-se o maior envolvimento que os profissionais têm tido com as questões familiares, especialmente com relação aos pais de crianças autistas. Além disso, o acesso a bons programas educacionais, um estilo de vida familiar saudável e a disponibilidade de uma rede de suporte (pessoas ajudantes) podem tornar mais manejável a experiência estressante de lidar com as dificuldades da criança, oferecendo apoio tanto no plano material quanto psicológico desses pais que, por sua vez, também se encontram em sofrimento.

FONTE: FÁVERO, M.A.B et. al. Autismo Infantil e Estresse Familiar: Uma revisão sistemática da literatura. Rev. Psicologia: Reflexão e Crítica. 2005. Disponível em: www.scielo.br/pdf/prc/v18n3/a10v18n3.pdf

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